PESSOAS MAIS DO QUE ESPECIAIS...

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13 de dez de 2011

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I'm back, uai...!
Meninas... saudádôceis, uai. Cêis nem faiz conta do tanto...
Minha demora foi por causa de uns contratempos que tive com o transporte (foto acima). Um pobreminha com o estepe...   hehehehe.
Mas cheguei.
E de carro de boi.
E daqueles ainda fabricados com rodas de cabreúva... cocão preso entre as emborgueiras, com a cantadeira e o chumaço feitos de madeira clara e mole.
Éééé... tô ficando entendido!
E rapidinho peguei o jeito de dirigir a geringonça.
Mas a roda agüentou o tanto que pode. Melodiou no seu tempo que foi o suficiente, porque cê sabe que roda de carro de boi canta para se ouvir de léguas, seja gaita, pombo ou baixão.
Éééé... tô ficando entendido!

“Quero apenas um moto perpétuo de gemidos doces de carros-de-bois,
mas daqueles de rodas maciças com dois buracos como olhos de bêbado...”
Este é um trecho do poema Das Qualidades de Cidadezinha do Interior, autoria de Marcos Cremonese.

Mas, xôfalá procêis: fiquei encantado!
Cidadezinha linda... gente hospitaleira... de uma humildade impar.
Gente de um falar musical, um falado cantado... gostoso de ouvir.
Sabe, o topônimo Cambuí (antes Cambuy) é de origem Tupi-guarani. Para alguns pesquisadores a palavra significa "agua leitosa ou rio do leite", numa provavelmente corruptela de CAMBY = leite + Y= água ou rio. Presume-se que as margens do Rio das Antas eram cobertas de argila (tabatinga) que dava a cor leitosa às águas.
Éééé... to ficando entendido!
Mas nisso há controvérsias. Outros acham que é por causa de uma formiga... ainda os que afirmam que significa “folha que cai” (será que é a formiga que pica a folha e por isso ela cai??!!). Bom, coisas de mineiro mêsss. Mas prefiro a versão do leite, tipo A.
Na “minha” nova cidade, muito do seu calçamento é daqueles construído com paralelepípedos. (Essa palavra eu consigo “escrever”, mas “pronunciá-la” é coisa complicada....  kkkkk).
Aliás, por falar em pronúncia, cheguei à conclusão que me transformei num mineiro bem dos disgramado... Quás’quíeu numtendí  nada do que muitos falavam... mas isso vindo daqueles, mais fiéis à bandeira.
Exemplo. Vi (ouvi) uma senhora dando uma baita de uma “bronca” num guri que, com certeza, devia ser seu filho.
Mas a véia tava braba padaná. Óp’cêvê: de tudo o quanto daquilo que ela falou e do que chamou o guri, eu só entendi o: “Eu te arranco as orelhas!” (kkkkk).
Foi algo do tipo: tirrâncoazorêia...
Morri de rir. O guri, não achou graça alguma.
Outro exemplo. Fui numa padaria cumê uns pãodiqueijjj... sacuméquié... com fome... talecoisa... acho que comi uns 8... (nas contas da minha digníssima, foram mais.)
Mas a Sra. Abranches só queria um pão francês e um café com leite. Ao fazer o pedido, a moça que nos atendia ficou me olhando como se eu fosse de um outro planeta. Eu deveria ter pedido era uma “média com pão de sal”...
Éééé... tô quase ficando entendido!
Bom, mas já aluguei uma casa. Será provisória pois a intenção é comprar algo.
Meu filho Mateus já está matriculado na escola. Aulas iniciam dia 30/01.
Dos dois únicos semáforos existentes na cidade, um está queimado...
Comí o “Virado de Banana”, iguaria que Cambuí ostenta como patrimônio histórico municipal e cuja patente encontra-se registrada no Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico.
E sobe ladeira... e desce ladeira...
Me desculpe, sei que devo estar aborrecendo você com esse lero-lero, mas preciso contar mais uma novidade.
Lá, as pessoas tem nome de apelido. Éééé... São conhecidas apenas por apelidos.
Ninguém conhece o Geraldo França por "Geraldo França"... conhecem-no por “Beréco”. Acreditam nisso?
O Eduardo Gonçalves de Andrade é “O Cabeuça” (??!!) Quiquéisso??? Cabeuça?
Outro exemplo: João Carlos Leopoldo é o “Queixo de burro”.
O Sr. Mauro Fiúza (senhor seríssimo, possuidor de uns bigodes colossais...), pois então, ele é o “Calango Verde”... pode??!!  A Dnª Regina Batisteze é "vassourinha", enquanto que a Srª Carmem Lúcia de T. Soares é a "chupisca ".
O Sr. Francisco Bibiano é conhecido como “Leléco”.
Mas o pior mesmo aconteceu comigo. Parece inacreditável, mas foi verdade. Podem acreditar...
Fui ver uma casa.
Explicaram-me em qual das ladeiras a tal casa ficava.
“Cê vira ali... dobra acolá... é bem pertim, me disseram... é logalí!
Era para procurar o Chibil Inchadinho...
...
Não, fala sério... eu ia ter que chegar na casa de uma pessoa que não conheço, nunca vi na vida e chamá-lo de Chibil Inchadinho...?!
Perguntei qual era o nome de batismo do Chibil. Custaram a lembrar que era Luis Gomes da Silva. Fui lá.
Desce ladeira... sobe ladeira... desce ladeira... sobe ladeira... e descobrí que nesse “bem pertim” eu estava quase voltando para Cuiabá.
Achei a bendita casa.
Bati palmas; apareceu uma senhora.
Perguntei-lhe pelo Sr. Luis Gomes e ela disse que não conhecia tal pessoa... Insisti e ela foi chamar o seu esposo. Tornei a dizer que precisava falar com um tal de Luiz Gomes da Silva.
Ele ficou pensativo... coçando o queixo... murmurando baixinho: “Luis Gomes... Luis Gomes...” até que veio com um: “Sei não, moço... conheço não...”
Olha só como são as coisas... nesse entrevero aparece uma moça, com uma cara de quem estava dormindo... cara inchadinha. Ela ouviu a conversa, chegou até a porta e disse: "Mas pai... Luis Gomes da Silva é ocê uai..."
Quas’caí de costa! E fui embora sem ver a casa. O Luiz Chibil Gomes da Silva Inchadinho que fique com sua casa...
Estou até preocupado com o nome pelo qual passarei a ser conhecido na cidade... deusmilivreguarde... !!!
Mas que bom estar de volta e poder participar com você desta “festa” de talentos que é o Flickr.
Depois farei “upilôud” de algumas fotos, para você conheça a bela Cambuí.
Beijos de pão de queijo... e de pastel de farinha de mío, também.


p.s.... Ahhhh... esquecí de dizer algo importante: a tal segunda-feira lá é a mesma coisa... Uma coisa sem graça.
 
õ[õ Jota-A

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