PESSOAS MAIS DO QUE ESPECIAIS...

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15 de out de 2011



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PÁLIDO TEMPO
de um tempo que se foi...
Era em um tempo em que o tempo não tinha pressa das horas.
O estático relógio amarelo, de pulseira furadinha, tinha os ponteiros fixos,
e teimava em mostrar a hora solene: 2:45h... 14:45h... às vezes indicava
que faltavam apenas quinze minutos para completar a 3ª hora do dia.
Hora inalcançável.
Tempo lento de um tempo em que era menina e que brincava ao tempo...
Imaginava tempos em que haviam castelos com dragões, princesas que nunca
virariam rainhas, e a vida eterna...
Às vezes sonhava que os ponteiros avançavam rapidamente, céleres.
O ponteiro grande, veloz, ultrapassava por intervalos de tempo de hora o
ponteiro pequeno, esse lento... mas tempo suficiente para ser capaz
de torná-la mais adulta, deixar para trás os seus 5 anos para atingir a maturidade dos 6.
Ah...! há quanto tempo foi isso? Eram bons tempos!
Pensava que talvez com os seus 6 anos ganhasse um novo relógio,
de uma nova cor (rosa talvez), com uma pulseira igual a que
tinha visto numa revista antiga, tempos atrás...
A sorridente moça tinha-o no pulso da mão esquerda que segurava o guarda-sol
(ou seria um guarda-chuva?). Não importa.
Sabia que era para prevenir-se de tempos de muito sol ou de muita
chuva...qualquer tempo. Mas este sim, teria ponteiros móveis que
a permitissem avançar o tempo; não mais só 2:45h.
Queria comandar aqueles ponteiros que insistiam em comunicar-lhe que
faltavam apenas 15 minutos para alguma coisa, contradizendo o sol.
Precisava desemperrar aquele pequeno estorvo ao lado do relógio,
estorvo amarelo de um relógio amarelo que não evoluiu, parou no tempo.
Evolução muda de cor, muda para rosa, azul, branco...
Com 6 (talvez 7, não mais!), ganharia um novo e também sorriria
ao sair com o seu guarda chuva a proteger o relógio.
Poderia então pegar o pino da corda com dois dedos e puxá-lo,
tornando-se dona do tempo. Tic... tac... tic.. tac...
Tivesse a capacidade de visualizar o futuro, dom da premonição,
ficaria com o relógio antigo... sem o tempo a compassar no ritmo de tic tac's...
Seu corpo é um relógio vivo.
Seu coração já sonorizou quatrilhões, octilhões, decilhões de tic tac's...
Tempo de uma vida, uma vida inteira vivida em amarelo,
tempo que não volta em errôneos tac tic's.
Fecha os olhos.
Lembranças vagas passeiam como aves de rapina a agourar-lhe
o pouco tempo que ainda lhe resta.
Não teve rosa.


Ficou sem azul.


Uma vida em branco...


T
I
C




T
A
C
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õ[õ Jota-A
Out/11

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